Palestrantes, magistradas(os), servidoras(es), advogadas(os) e
advogadas(os) celebram a seminário “Colorindo Nossas Resistências”,
no TRT do Paraná
O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR) reuniu quatro pessoas da comunidade LGBT+ – três mulheres trans e um homem gay cis “montado” de drag queen – para refletir sobre as suas experiências, desafios da comunidade e perspectivas para o futuro. As quatro pessoas foram as palestrantes do seminário “Colorindo Nossas Resistências”, realizado no dia 4 de julho, no Plenário Pedro Ribeiro Tavares, na sede do Tribunal, em Curitiba. O evento foi organizado pelo Comitê Gestor Regional do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, que é coordenado pela desembargadora Neide Alves dos Santos.
Larissa Ember de Oliveira Alves, mulher trans, lésbica, negra, pessoa com deficiência visual e autista, integrante do Coletivo Trans Gilda e estagiária do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), declarou que a principal pauta da atualidade para as pessoas trans e para todos da comunidade LGBT+ é a dignidade no trabalho. “Fomos relegados a um lugar de muito perigo, muita insegurança no trabalho”, afirmou Larissa, que também contou sobre a sua experiência como estagiária trans no TJ-PR, entre outros temas.
Atuando como oficial de justiça no Fórum Trabalhista de Toledo, Érica Mesquita Souza, mulher trans, pansexual, negra e autista falou que a sua aparência e voz mais femininas a ajudam na sua atividade diária como oficial de justiça trans, que inclui cumprir os mandados em áreas rurais. A servidora, que tomou posse no TRT-PR em 2023, disse que foi bem recebida no Fórum de Toledo, mas destacou a falta de diversidade entre os que lá trabalham.
A servidora do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) Mariana Silva Arakawa, mulher trans e lésbica e integrante da Articulação Nacional de Trabalhadoras e Trabalhadores Trans e Travestis do Sistema de Justiça (Antrajus), falou sobre as dificuldades que enfrentou no trabalho durante a sua transição de gênero. Também explicou a atuação da Antrajus, que agrega pessoas trans de todo o sistema de justiça: Poder Judiciário, Ministério Público, Advocacia Pública e Defensoria Pública. Ela ressaltou que as pautas da comunidade têm avançado, como o uso do nome social. Mas ainda faltam diversas garantias, como o uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero, entre outros.
Um fato inédito ocorreu durante o seminário: o ator Dan Venturi, fantasiado de sua personagem A Dita, uma drag queen, palestrou no Plenário Pedro Ribeiro Tavares. Contou a sua história e falou sobre a arte drag. No encerramento de sua fala, A Dita dançou e dublou a canção “I Will Survive”, composta por Freddie Perren e Dino Fekaris e lançada, em 1978, pela cantora Donna Summer. “É uma honra. Como artista LGBT, nunca me imaginei num lugar assim, mais formal, mais sério. Nunca pensei estar nessa posição”. “A arte drag está em crescimento. Se antes estávamos limitadas às boates LGBTs e shows noturnos, hoje estamos em outros espaços: podemos estar aqui, podemos estar em uma escola, em uma faculdade, em um teatro”. “Creio que as pessoas tenderão a conhecer mais a arte drag, entender mais, respeitar mais, e se divertir mais, porque drag também é diversão, drag é acolhimento, e a cultura drag quer acolher todo mundo”.
O seminário “Colorindo Nossas Resistências” teve a presença de magistradas(os), servidoras(es), estagiárias(os), terceirizados(as), estudantes e advogadas(os). Contou com a presença de representantes do Grupo Dignidade, da Antrajus, Coletivo Trans Gilda e da Comissão de Diversidade da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Paraná (OAB-PR), que, no início e ao final do evento, distribuiu materiais informativos sobre o tema.
Palestrantes debatem com o público no Plenário Pedro Ribeiro Tavares,
sede do TRT-PR
Texto: Gilberto Bonk Junior / Ascom TRT-PR
Fotos: João Vitor Soares, com supervisão de Gilberto Bonk Jr
Vídeos: Oliver Oha, com supervisão de Luiz Munhoz / Ascom