O juiz do Trabalho Bráulio Gabriel Gusmão (com troféu e certificado) foi um dos
homenagedos em outubro pelo Prêmio de Reconhecimento do TRT-PR. Ele integrou a
equipe vencedora da categoria 1º Grau de Jurisdição referente ao Projeto Solaria. Na
imagem, o magistrado está com a Administração do Tribunal. Da esquerda para a direita:
desembargador Marco Antônio Vianna Mansur, vice-presidente; desembargador Célio Horst
Waldraff, presidente; e desembargador Benedito Xavier da Silva, corregedor regional.

 

O juiz do Trabalho Bráulio Gabriel Gusmão aposentou-se da magistratura no último dia 27 de outubro, quando o Tribunal Pleno do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR) aprovou o seu pedido. O juiz era titular da 4ª Vara do Trabalho de Curitiba e estava convocado, até então, para atuar como secretário-geral do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). Ele é um dos principais responsáveis pela revolução digital que acontece no Poder Judiciário desde que o computador passou a ser utilizado como principal ferramenta de trabalho, ainda no início deste século.

Desde os primeiros sistemas de tramitação informatizados até a utilização de inteligência artificial generativa, por meio do Chat-JT, o juiz Bráulio Gusmão aparece como um dos principais idealizadores de diversas inovações. Transformações que alteraram não apenas a forma como os processos são julgados, mas também e principalmente as relações humanas que compõem a cultura institucional do Poder Judiciário, especialmente da Justiça do Trabalho. “Eu saio desse período com o sentimento do dever cumprido. Procurei dar para a minha instituição, que é o Judiciário, especialmente o TRT-PR, o melhor que eu pude, o melhor de mim. Eu tenho um orgulho muito grande de fazer parte dessa instituição, de ter trabalhado nela e saio muito feliz, porque eu fui feliz aqui”, declarou no dia de sua reforma.

Bráulio Gabriel Gusmão nasceu em Nova Fátima, mas foi criado a maior parte de sua infância e adolescência em Andirá e principalmente em Cambará. Ele formou-se em Direito em 1988 pela Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro (1988), em Jacarezinho. Advogou durante 5 anos na área trabalhista até que em julho de 1994 tomou posse como Juiz do Trabalho Substituto do TRT-PR, após aprovação em concurso público. Em 2002 foi promovido ao cargo de Juiz Titular. Antes de assumir à titularidade da 4ª Vara de Curitiba (unidade em que se aposentou), ele atuou no Fórum de Cascavel, onde ficou alguns meses, e por alguns anos em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Sua atuação enquanto magistrado foi reconhecida com a conquista do 1º lugar no Concurso Decisões Judiciais e Acórdãos em Direitos Humanos, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH). Ele venceu na categoria “Garantia dos direitos da pessoa com deficiência e da pessoa com transtornos e altas habilidades/superdotação”. Na ocasião, o TRT-PR também venceu na categoria “Direitos dos imigrantes e refugiados”, com a juíza Angélica Slomp. Leia mais aqui, clique para acessar.

Revolução Digital no Poder Judiciário

O Poder Judiciário brasileiro é hoje um exemplo mundial de instituição pública que optou por produzir e ser proprietária de soluções tecnológicas. Parte dessa política de gestão é fruto da visão do juiz Bráulio Gusmão. “Eu sempre gostei da tecnologia, usava o computador para o meu dia a dia e na magistratura foi minha ‘segunda carreira’, digamos assim. Desde o início me envolvi com os projetos do Tribunal e nesses 30 anos estive de alguma maneira envolvido com a tecnologia”, afirmou em entrevista.

juiz do Trabalho Bráulio Gabriel Gusmão na cerimônia do Prêmio de Reconhecimento

no último dia 27 de outubro.

Desde que os diversos sistemas de computação do TRT-PR foram unificados no antigo Sistema Unificado de Administração Processual (SUAP), o juiz Bráulio foi um dos juízes que fez parte da equipe do projeto. Em 2009, a sua atuação chamou a atenção do então presidente da Comissão de Tecnologia do TRT-PR, desembargador Sérgio Murilo Rodrigues Lemos, que o convidou a coordenar o projeto de digitalização do TRT do Paraná, por meio da criação de três varas “sem papel” (21ª, 22ª e 23ª Varas do Trabalho de Curitiba) e da ferramenta “Escritório Digital”, que seria substituída pelo Processo Judicial Eletrônico (PJe) em 2012.

Em 2014, o juiz Bráulio foi convocado por cerca de seis meses para atuar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na presidência do então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski. Ele foi destacado para trabalhar nas políticas de tecnologia do Poder Judiciário. Uma outra convocação aconteceu durante a gestão do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Lélio Bentes na Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho (2018-2020), quando o juiz Bráulio ajudou a implantar o projeto PJe 100%, que tinha o objetivo de digitalizar toda as unidades da Justiça do Trabalho no Brasil.

Quando o ministro do STF Dias Toffoli assumiu a presidência do CNJ (2018-2020), novamente o nome de Bráulio Gabriel Gusmão foi lembrado para o lugar de juiz-auxiliar da Presidência. Ele esteve à frente de projetos como o Sinapses (banco de dados de soluções tecnológicas) e da equipe que construiu a Plataforma Digital do Poder Judiciário, ambiente digital feito para incentivar o desenvolvimento colaborativo entre os tribunais. O início da pandemia trouxe mais que a aceleração dos processos de digitalização. Trouxe também uma mudança de cultura no Poder Judiciário, com a utilização sistemas de teleconferência para realização da maior parte dos atos jurídicos, como audiências.

De volta ao TRT-PR, durante a gestão do desembargador Sérgio Murilo, coordenou projetos como o Projeto Solaria, que se utiliza de robôs digitais para automatizar tarefas repetitivas e sem necessidade de escolha nos processos trabalhistas. O Projeto Solária foi vencedor do Prêmio de Reconhecimento do TRT-PR em 2025 (leia mais aqui, clique para acessar). O sistema de buscas de decisões e de jurisprudência Falcão também surgiu nesse período.

Convocado para atuar como secretário no CSJT, auxiliando o ministro-presidente Aloysio Corrêa da Veiga, o juiz Bráulio fechou o seu ciclo na magistratura com a entrega o Chat-JT, que é a utilização da inteligência artificial generativa (IA) em prol dos magistrados(as) e servidores(as) do Poder Judiciário Trabalhista. “Obviamente estamos diante de uma virada tecnológica muito grande, com essa chamada inteligência artificial generativa, que tem o potencial transformador não somente dos sistemas de Justiça, mas da sociedade, e isso pode tanto ser muito bom quanto não ser muito bom, dependendo das decisões que você tomar”, fala sobre o futuro.

Texto: Pedro Macambira Filho / Ascom TRT-PR

Foto Jason Silva / Ascom TRT-PR

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